sábado, 27 de novembro de 2010

Prosperidade


" Quando estivermos dispostos a sacrificar nosso cômodo e seguro mundo de certezas conquistadas sempre que o prosseguimento da busca se fizer necessário, então, nesse momento estaremos prontos a alcançar todo o nosso potencial."

Quando eu pensava em prosperidade, sempre me vinha à cabeça bens materiais, dinheiro, aquela nota do dólar...

É muito mais do que isso. Descobri hoje! Fiz o curso de prosperidade da Celma Villa Verde, e do Vitor Villa Verde, pais das minhas grandes amigas. Foi sensacional, incrível como atraímos tudo. Eu estou numa fase de transformação, e isso vai ser essencial para muitas mudanças que eu já gostaria de fazer, mas não sabia como canalizar!


É necessário "jogar muitas coisas fora": pensamentos ultrapassados, relacionamentos que já não funcionam mais, pessoas que fazem parte da nossa vida mas nos puxam pra baixo, pensamentos pessimistas, perceber nosso racional sempre tolhindo nossos sonhos, e metas...

Foi tudo maravilhoso, tudo! Todas as pessoas deveriam fazer! Foram vários exercícios, um grupo legal, a comida hare krishna maravilhosa, alongamento de yoga, mantras, essências, incenso...

Sejamos prósperos, pensemos grande, façamos o bem, e sempre antes de tudo sejamos fiéis aos nossos sentimentos, objetivos, sensações... Isso de pensar uma coisa, e agir diferente só contamina a gente, e embaralha nosso mundo. Que a entrega, e principalmente a ação seja verdadeira e de acordo com nossas consciências!


Hoje sou outra, mais agradecida ainda. Agradeço a vida, sempre gentil, aos meus pais e ancestrais, aos meus amores, meu trabalho, meu bichos,minha faculdade, plantas, natureza,todas as artes , oportunidades, TUDO!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Toda Beleza



Ontem assistindo o show do Paul, fiquei extasiada com tudo! Com as imagens passando atrás, com a empolgação dele no show, e de todos da banda, os efeitos com fogos e luzes, o público afinado com ele, calmo, com aquelas luzes das câmeras digitais substituindo os isqueiros no passado. Foi lindo, emocionante. Como já sabia que nesse fim de ano estaria atolada de coisas, nem cogitei ir, mas senti uma dorzinha no peito ontem. Algumas coisas na vida valem qualquer esforço, principalmente as que emocionam, as que fazer tremer a alma da gente.

Aí fiquei pensando na beleza das coisas. E principalmente das pequenas, do nosso dia a dia. Todo dia quando acordo, já sou recebida pelo dia com a alegria da minha sheepdog, que fica comigo até a hora de sair, quando estou na cozinha preparando o café, tomando banho, deitadinha do lado do box. E assim meu dia começa, com sorrios, "bom dia", música, pássaros, miquinhos no meio fio, expectativa, fórmulas, trabalho, almoço, encontros, projetos, banho quente, conversa com mãe, pai, torpedos com as amigas, um seriado antes de dormir, minha camona gostosa...

Gosto muito do momento que antecede, daquela expectativa boa, tipo quando a gente está com muita fome, com amigos e prepara o almoço. Aquele azeite fritando o alho, tudo separado para jogar junto... Aquelas taças de vinho postas a mesa, antes mesmo do vinho ser aberto. Cheiro de eletrônico novo, livro, plástico, foto, roupa... Cheiro de terra molhada antes mesmo da chuva chegar, as amigas em volta do fogão esperando o brigadeiro ficar pronto. O trailer daquele filme muito esperado, comprar amendoim com chocolate antes do teatro, a lua laranja no começo da noite, planejar uma viagem, sentir cheiro de fruta, de rosa no amanhecer...

Tudo faz parte do contexto, não temos como pular nenhuma etapa, ou sentir falta de outra no processo...

A beleza, quando aprendemos a ve-la aparece em todos as coisas.



domingo, 24 de outubro de 2010

Clair de Lune

Algumas músicas mexem muito com as emoções, incrível como uma só traz à tona diversas sensações, memórias, até de coisas que não vivemos.




Clair de Lune
Debussy




terça-feira, 19 de outubro de 2010

510 anos de mentira

Nesse mundo precisamos nos adaptar, e nos atualizar sempre, em tudo. Somos muito exigidos, porque o trabalho pesado, os projetos suados ficam sempre nas mãos dos executores. A história mostra todo percurso, com muitos obstáculos, de quem pesquisou a fundo, expôs suas idéias e quis desmascarar e bater de frente com um sistema. Vimos que "calaram" a boca de muita gente boa, quem tinha peito e um raciocínio não corrompido, sumiu misteriosamente. Alguns até mudaram radicalmente seu discurso em prol de sua própria integridade.

Para aliar sua segurança, a continuidade de um projeto honesto e defender suas idéias, a humanidade precisa ser malabarista. Bater de frente é perder energia a tôa, no entanto a ideia de vestir a camisa por uma ideia mesquinha, mas que é facilmente vendida é uma violência. Nosso desafio é sobreviver entre os bandidos demagogos, numa luta onde a paciência é essencial.

Hoje, damos um passo atrás evitando explosões, ouvimos calados todo aquele discurso santo sair da boca dos mais podres, assistimos enjoados o -governo encontrar brechas, mamar com a maior tranquilidade, pessoas despreparadas assumirem cargos, falso tenente-coronel atuar como leonardo di caprio brasileiro, andar nas ruas sem saber quem é policial-policia, policial-bandido, bandido-policial, pessoas votarem na possibilidade de continuidade de um governo que só iludiu, fez de palhaço, comprou com esmola, freou quem poderia realmente mudar, e quer a todo custo alienar as mentes pensantes.

Nos fazemos de planta, rebolamos para não vomitar tudo isso, tem gente que lança filme para tentar passar na censura e não ser metralhado, tem menina burguesa que não aguenta mais nada e usa um blog como válvula de escape, têm pessoas militando, doando um tempo por debaixo dos panos para realmente tentar fazer o bem, um bem, para quem precisa. É, não tem jeito, precisamos dançar conforme a música, e dar um jeitinho brasileiro de gritar, e lutar contra essa podridão toda.

A luta não é contra a igreja, os militares, a política. É contra nós mesmos.

Podem me chamar de ignorante, mas meu voto é nulo.


domingo, 17 de outubro de 2010

Cartas - I

Mais Fernando


Domingo, 29/11/1920

(...)

Quanto a mim...

O amor passou. Mas conservo-lhe uma affeição inalteravel, e não esquecerei nunca - nunca, creia - nem a sua figurinha engraçada e os seus modos de pequeneina, nem a sua ternura, a sua dedicação, a sua indole amoravel. Pode ser que me engane, e que estas qualidades, que lhe attribúo, fossem uma illusão minha; mas nem creio que fossem, nem, a terem sido, seria desprimor para mim que lh'as attribuisse.

Não sei o que quer que lhe devolva - cartas ou que mais. Eu preferia não lhe devolver nada, e conservar as suas cartinhas como memoria viva de uma passado morto, como todos os passados; como alguma cousa de commovedor numa vida, como a minha, em que o progresso nos annos é par do progresso na infelicidade e na desillusão.

Peço que não faça como a gente vulgar, que é sempre reles; que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infancia, que se amaram um pouco quando meninos, e, embora na vida adulta sigam outras affeições e outros caminhos, conservam sempre, num escaninho da alma, a memoria profunda do seu amor antigo e inutil (...)



Fernando Pessoa



Domingo, 17/10/2010


Quase 80 anos depois, e a descoberta de que certas coisas não mudam, ou são iguais em todos nós. Cartas nos revelam muito , guardam surpresas para o futuro, mostrando toda pureza, esperança e romantismo que talvez não existam mais. Assim como as fotos, são capazes de revelar exatamente o momento vivido, e todos os sentimentos que ele acarretou.

sábado, 16 de outubro de 2010

something in the way...

Estou numa semana muito George Harrison, e descobri que talvez ele seja meu preferido dos beatles. Acordei um dia com "while my guitar gently weeps" na cabeça. Tomei meu café tentando cantar, para lembrar do nome e colocar para tocar. Consegui, com alguns pedacinhos da letra que eu lembrei, (os únicos pedaços da letra que não foram inventados hahaha). Ah, tão bom ouvir, parece que saiu da sua cabeça.

Aí, depois ouvi direto, praticamente em todos momentos que tive uma chance, "something".
Ouvindo a letra, pensei nisso. Naquelas coisas especiais, de cada pessoa que gostamos, aquela marca, coisas que nossos sentidos instantâneamente nos fazem lembrar.

Aquela risada gostosa, aquele olhar vivo-sábio-curioso-ingênuo, o barulho discreto de um certo sorriso, o perfume, o cheiro da pele, do cabelo, um livro, um cd, um lugar, um filme, uma música, voz, uma sobremesa, uma estação...

Ficamos sempre preocupados em prender as pessoas, nessa mania de querer possuir tudo. Mas esquecemos que além de ser impossível, o essencial fica com a gente. Nosso diferencial, a marca que é diferente em todos nesse mundo enorme. Algumas sensações aguçadas pelos nossos sentidos, que não podem ser explicadas, imitadas...


‎"Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar... Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre"


Bob Marley
















Novos ventos

Primavera

Cecília Meireles


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.